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Efeito inseticida de quatro plantas ao bicho mineiro Tederson L. Galvan, Marcelo Picanço, Eliseu José Guedes Pereira, Márcio Dionízio Moreira e Leandro Bacci Resumo — Este trabalho objetivou avaliar o efeito inseticida dos extratos hexânicos das plantas: chagas (Tropaeolium majus), girassol (Helianthus annuus), artemísia (Artemisia vulgaris) e gergelim (Sesamum indicum) ao bicho-mineiro do cafeeiro Leucoptera coffeellum (Guérin-Mèneville) (Lepidoptera: Lyonetiidae). O experimento foi conduzido no Laboratório de Manejo Integrado de Pragas da UFV, de maio a junho de 1998. O material vegetal foi colocado em beckers onde se adicionou o solvente hexano. Após quatro horas, os restos foliares foram retirados e o solvente contendo o extrato foi concentrado em evaporador rotativo. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com quatro repetições. Cada parcela experimental foi constituída de placa de Petri contendo 10 lagartas de L. coffeellum. Os tratamentos foram os extratos além da testemunha. Seis, 12 e 24 horas depois avaliou-se a mortalidade dos insetos. Observou-se que apenas os extratos hexânicos de T. majus, apresentaram efeito inseticida (100,00% de mortalidade). Os extratos hexânicos de H. annuus, A. vulgaris e S. indicum não apresentaram efeito inseticida. Palavras chave — Inseticidas botânicos, Tropaeolium majus, Helianthus annuus, Artemisia vulgaris, Sesamum indicum, bicho-mineiro, Leucoptera coffeellum. Introdução — O bicho-mineiro do cafeeiro, Leucoptera coffeellum (Guérin-Mèneville) (Lepidoptera: Lyonetiidae), constitui-se praga-chave do cafeeiro no Brasil, ocasionando grandes perdas à cultura devido a redução da área fotossintética que pode ocasionar prejuízos de até 80% na produção de plantas (Thomaziello, 1987). O controle químico, através de inseticidas, tem sido a maneira mais eficiente para impedir o ataque desta praga. Porém a utilização indiscriminada destes inseticidas leva a diminuição dos inimigos naturais (Micheletti, 1991) e causa o surgimento de populações resistentes (Madeira, 1994). O que determina um controle inadequado; aumenta o custo de produção; intoxica aplicadores e contamina o ambiente (Gallo et al, 1988). Assim, torna-se necessário a introdução de novas formas de controle, que aliadas à menor aplicação de inseticidas, tornem efetivo o controle do bicho-mineiro. No entanto, são escassos os trabalhos que visem gerar técnicas alternativas de controle desta praga, e entre elas, está o uso de inseticidas botânicos. Desta forma, este trabalho objetivou avaliar o efeito inseticida dos extratos hexânicos de chagas (Tropaeolium majus), girassol (Helianthus annuus), artemísia (Artemisia vulgaris) e gergelim (Sesamum indicum) ao bicho mineiro do cafeeiro L. coffeellum. Material e métodos — O material vegetal foi levado para laboratório e colocado em beckers de 5 litros onde se adicionou o solvente hexano. Após quatro horas, os restos foliares foram retirados. O solvente contendo o extrato foi concentrado em evaporador rotativo e transferido para frascos onde foram secos em nitrogênio gasoso e armazenados em congelador. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com quatro repetições. Cada parcela experimental foi constituída de placa de Petri contendo 10 lagartas de L. coffeellum. Os tratamentos foram os extratos além da testemunha. Distribuiu-se 0,3 ml do extrato diluído em solvente hexano (concentração 20mg/ml) em papel de filtro de 5 cm de diâmetro o qual foi acondicionado em placa de Petri de vidro (5 cm de diâmetro por 2 cm de altura). Adicionou-se em cada unidade experimental 10 lagartas de L. coffeellum e 6, 12 e 24 horas após avaliou-se a mortalidade dos insetos. Os dados de mortalidade dos insetos nos extratos foram submetidos a análise de variância e teste de Scott-Knott e P>0,05, para verificação de quais extratos tiveram efeito inseticida para L. coffeellum. Os resultados de mortalidade nos testes de toxicidade das substâncias ao bicho mineiro foram corrigidos em relação a mortalidade ocorrida na testemunha, onde somente foi aplicado hexano, usando-se a fórmula de Abbott. Resultados — Os resultados de mortalidade da L. coffeellum, após a exposição ao extrato hexânico de quatro plantas, verificou efeito inseticida em extratos de chagas devido a alta mortalidade de insetos (100,00%) em todos os tempos de avaliação. A mortalidade de insetos em extratos de gergelim (3,38% em 6 horas e 4,59% em 12 e 24 horas), artemísia (0,00% em 6 e 12 horas e 3,09% em 24 horas) e girassol (0,00% em 6 e 12 horas e 0,68% em 24 horas) não apresentaram nenhum efeito tóxico aos insetos. Verificou-se, que a mortalidade causada pelo extrato de chagas manteve-se alta nos três horários de avaliação. Assim como a mortalidade causada pelos extratos de gergelim, artemísia e girassol mantiveram-se baixos nos três horários de avaliação. Conclusões — Os extratos hexânicos de chagas (T. majus) apresentaram efeito inseticida à L. coffeellum com 6, 12 e 24 horas de exposição. A mortalidade nos tratamentos de gergelim, artemísia e girassol, não demonstrou efeito inseticida dos extratos à L. coffeellum com 6, 12 e 24 horas de exposição. Referências Bibliográficas GALLO, D., O. NAKANO, S. SILVEIRA NETO, R.P.L. CARVALHO, G.C. de BATISTA, E. BERTI FILHO, J.R.P. PARRA, R.A. ZUCCHI, S.B. ALVES & J.B. VENDRAMIM. Manual de Entomologia agrícola. 2nd ed., São Paulo, Agron. Ceres, 649p, 1988. MADEIRA, N.R., M.C. PICANÇO, R..N. GUEDES, G.L.D. LEITE & E.A. da SILVA. Resistência da população de Scrobipalpuloides absoluta (Meyrick, 1917) (Lepidoptera: Gelechiidae) de Viçosa-MG a quatro inseticidas, p.137. In Resumos Simpósio de Iniciação Científica na UFV, 4, Viçosa, 1994, 255 p. MICHELETTI, S.M.F.B. Efeito de inseticidas sobre a emergência de Trichogramma spp. (Hymenoptera: Trichogrammatidae). An. Soc. Ent. Brasil 20, 1991, 265-269. THOMAZIELLO, R.A. Manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas em café. In. Simpósio internacional de manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas, 1. Campinas: Andef, Anais..., 1987. p.155-170. Tederson L. Galvan, Marcelo Picanço, Eliseu José Guedes Pereira, Márcio Dionízio Moreira e Leandro Bacci. Laboratório de Manejo Integrado de Pragas, DBA/UFV, 36.570-000 Viçosa - MG, picanco@mail.ufv.br. |
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