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24/06/2013 14:36:35

 

Dois artigos de Marco Antonio Jacob

 

 

Dois Papas e o preço vil do café

Por Marco Antonio Jacob

Modernizando as relações comercias na exportação de café. Estamos em pleno século XXI , vejam quantas evoluções , internet , skipe , facebook ,tablets, até dois Papas temos , o Papa Emérito e o Papa Francisco.

Então porque não modernizar as relações comerciais entre produtores e importadores?

Uma palavra em voga hoje, defendida por 101% do setor cafeeiro é a SUSTENTABILIDADE. Baseado nesta SUSTENTABILIDADE, podemos afirmar que os oligopólios industriais não podem admitir que se compre a matéria prima abaixo do custo de produção , quis dizer que isto é inadmissível na cartilha da SUSTENTABILIDADE , milhares de produtores de países pobres , vendendo abaixo do custo de produção a matéria prima pelo qual as industrias dos países desenvolvidos vão agregar valor e vender aos seus consumidores, com um selinho bonitinho estampado “sustainable” na embalagem.

Então , em respeito ao principio da SUSTENTABILIDADE , vamos a medidas inteligentes aqui no Brasil, já que somos o líder mundial de produção de café.

Primeiros passos: Vamos contratar a FGV , Fundação Dom Cabral , PricewaterhouseCoopers , enfim , uma instituição com credibilidade, para apurar o custo de produção do café brasileiro , lembrando que serão levantados custos de produção separados para as duas espécies de café produzido no Brasil , café arábico e café conilon.

É necessário que estes “custos” deverão contemplar todos os custos, isto é, insumos, depreciações, custo de capital, custo de mão de obra e seus encargos legais, salário de gerenciamento dos produtores, impostos, contribuições, intempéries climáticas, seguros, fretes, embalagens, previdência etc. , enfim , TODOS OS CUSTOS , como fazem as industrias modernas nos países desenvolvidos.

Então teremos o custo ponderado (por regiões, mecanizado, de montanha, irrigado, de sequeiro; empresarial, familiar etc.) do café arábico brasileiro e do café conilon brasileiro, considerando a bienalidade de produção dos cafeeiros, então os custos serão calculados pela média de produtividade de 2 anos.

Uma coisa importante, estes custos serão abertos a todos os interessados, com maior transparência possível, inclusive se as certificadoras estrangeiras quiserem auditar, estarão prestando um favor ao setor cafeeiro mundial , não precisam também achar que estamos entregando o ouro para os bandidos , pois uma das maiores empresas produtora de café do Brasil, Ipanema , é uma sociedade de capital japonês , alemão , norueguês e brasileiro. Encontrado o custo de produção, o segundo aspecto a ser levantado é o custo de exportação, a famosa “charge”, que também será calculada pela mesma instituição credenciada que apurou os custos de produção.

Estes custos de produção acrescidos da “charge” de exportação, serão atualizados quinzenalmente, assim encontraremos o custo do café brasileiro FOB atual, convertidos a taxa de cambio (REAL X DOLAR) média dos 15 dias anteriores , que será o PREÇO REFERENCIA DE EXPORTAÇÂO , para a quinzena seguinte.

Este PREÇO REFERENCIA DE EXPORTAÇÂO do café brasileiro será o preço mínimo permitido para exportação de café brasileiro, abaixo deste preço referencia, nenhum grão de café sairá do Brasil, isto é, não permitiremos a venda e transferência de estoques a preço vil.

No momento que os preços de mercado sejam próximos ao custo de produção, haverá linhas de credito para financiar a estocagem, seja os produtores , cooperativas, comerciantes, exportadores, industrias instaladas no Brasil etc.

As origens destas linhas de financiamento serão provenientes do FGTS, Recursos do Crédito Rural, e, das Reservas Internacionais do Brasil, que em 27 de março de 2013 atingiam o montante US$ 376,45 bilhões , então não vai faltar recursos para financiamento de estoques , se tivermos que estocar 100% da safra brasileira , recursos não faltarão.

Ao invés de financiarmos débitos públicos internacionais, vamos financiar o trabalho e produto dos cafeicultores brasileiros, afinal, estas reservas são da sociedade brasileira, que nós cafeicultores brasileiros fazemos parte, recordem-se quando o café era responsável por 90% da receita de exportações totais do Brasil.   Não se preocupem achando que o Brasil vai perder mercado, pois na produção de arábicos somos o País com um dos menores custos de produção mundial, então nosso “market share” permanecerá estável, simplesmente não vamos transferir estoques de café a preço vil, abaixo dos custos.   Tenho certeza que aparecerão vozes contrarias a esta ideia, talvez algumas com sotaques estrangeiro , dizendo que isto é ingerência no livre mercado , para este argumento respondo , a produção de café é uma concorrência perfeita (milhares de produtores) , quando a importação é feita por enormes oligopólios.

Ou será que é justo, fundos financeiros, sem nenhuma atividade fim com a cafeicultura, estarem vendidos, pressionando as cotações do contrato de café em Nova York, exatamente 39.243 contratos, que equivalem a 11.124.981 de sacas , para os leigos neste mercado de café , a Colômbia , maior produtora mundial de “washed coffees “ , este café que é o entregue na Bolsa de Nova York , exportou nos últimos 12 meses o total de 7.370.454 de sacas.

A lógica deste sistema esta na SUSTENTABILIDADE, a mesma apregoada pelos industriais junto a seus consumidores, enfim, já que o Brasil, por sua tecnologia e condições climáticas é o maior fornecedor mundial de arábico e com custos mais eficientes , se a industria mundial quer comprar abaixo do custo Brasil , quer comprar abaixo do custo mundial de produção , se esta ultima premissa é verdadeira , então não há SUSTENTABILIDADE em produzir café.

Basta de hipocrisia, não vamos exportar sofrimento, os dois Papas garantem que é pecado, além de extrema burrice. Bom, para aqueles que queiram minar esta ideia, usem seus argumentos, pois respeito o bom debate.

 

Somos vacas de presepio, acordem produtores de café - A falácia do guarda chuva

 

Dialogando com pessoas do setor cafeeiro, sobre o artigo “Dois papas e o preço vil do café”, fui questio-nado se a aplicação de PREÇO REFERÊNCIA DE EXPORTAÇÃO do café brasileiro poderia causar o efeito guarda chuva. http://www.cafepoint.com.br/cadeia-produtiva/espaco-aberto/dois-papas-e-o-preco-vil-do-cafe-83172n.aspx

Para aqueles que não sabem o que é efeito guarda chuva, aqui vai uma breve explicação: efeito guarda chuva é quando tomamos uma medida restritiva, porém os outros se beneficiam desta medida, pois não têm esta restrição.

Resumindo, existe a possibilidade de perdemos “market share” (mercado) se criarmos o PREÇO REFERÊNCIA DE EXPORTAÇÃO baseado no custo de produção do café brasileiro?

A resposta é NÃO , NÃO e NÃO , explico abaixo :

Pelo bom senso, sendo o Brasil, um dos produtores de café com custo mais baixo, como poderão os outros concorrentes vender abaixo deste custo, simplesmente se o fizerem, eles vão quebrar subsidiando os consumidores ricos.

Mas se os governos deles bancarem subsídios de exportação, hipótese surrealista, pois são países pobres; basta o Brasil denuncia-los a OMC – Organização Mundial do Comércio.

Dado as afirmações acima, fui pesquisar e verificar se realmente o Brasil é o país com um dos custos mais competitivos na produção de café mundial, abaixo o gráfico de variação de custo de produção, disponibilizados pelo OIC em 4 de março de 2013 , pagina 4. http://www.ico.org/presents/1213/march-ico-outlook.pdf

Apesar dos dados apresentados serem de 2004 a 2011, este gráfico sugere que o Brasil teve a MENOR variação de custo de produção dos países listados (Colômbia, Equador, Guatemala, Cuba, Costa Rica).

Mas é necessário sabermos o custo de produção de nossos concorrentes, nossas embaixadas nos países produtores poderiam levantar estes custos de produção, quem sabe a OIC tenha estes dados.

Mas de acordo com alguns experientes agentes de mercado internacional de café , estes me afirmam que somos competitivos na produção de arábicos mundial.

Mas supondo que o Brasil seja competitivo, vamos às causas e efeitos, caso o Brasil instituía esta política de PREÇO REFERÊNCIA DE EXPORTAÇÃO.

Conforme ultimo relatório da Archer Consulting, os “hedging funds”, têm “uma posição bruta de 19.4 milhões de sacas de 60 quilos “short”“. http://www.archerconsulting.com.br/comentarios/comment_cf67355a3333e6e143439161adc2d82e.html

Vou tentar traduzir o que significa isto:

Os negócios mundiais de cafés arábicos têm como referência o contrato “C” do ICE “Intercontinental Exchange”, a famosa bolsa de Nova York, então quase todos os negócios de cafés arábicos têm como referencia este contrato, que é um contrato de cafés lavados (washed), no qual o café cereja descascado ou despolpado brasileiro pode ser entregue, com misero desconto de 9 centavos , vejam que só esta clausula demonstra que este contrato não reflete a realidade dos negócios de café.

Como os fundos estão vendidos (short), 19,4 milhões de sacas, ficam pressionando o preço para baixo, a função destes fundos é fazer dinheiro, ganhar dinheiro, a proximidade deles com o café talvez seja a maquina de expresso perto de seus operadores.

No terminal de bolsa, temos a expressão máxima do capitalismo, lei da oferta e procura, mas não do café, e sim do contrato, é medido a força de compradores e vendedores daquele singular contrato, lógico que todas os fundamentos do café estão intrinsecamente embutidos nas decisões.

Se o Brasil como líder do fornecimento de café mundial instituiu este PREÇO REFERÊNCIA DE EXPORTAÇÃO, que é proveniente do custo de produção, isto é, não é um preço artificial e sim baseado em CUSTOS, que hoje acredito ser MAIOR que as cotações de Nova York (sou produtor de café e sei quanto custa produzir café), estes fundos que estão vendidos em Nova York, irão rapidamente recomprar suas posições, mas uma vez quero deixar bem claro que os fundos não têm orgulho ou vaidades, o negócio deles é fazer dinheiro, pois não são idiotas de ficarem vendidos num mercado em que o suprimento de café será interrompido quando sua cotação for inferior aos custos.

Se os fundos recomprarem parte de suas posições, logicamente o mercado sobe , veja bem, eles estão vendidos quase três (3) vezes a quantidade que o segundo maior produtor mundial de cafés arábicos, a Colômbia, exportou nos últimos 12 meses (7.525.367 sacas). http://www.ico.org/prices/m1.htm

Tenho novamente que lembra-los que os estoques hoje nos países importadores são regulares, nada de expressivo, qualquer falha no suprimento de café, torna estes estoques insuficientes, atualmente o consumo apenas nos países importadores é aproximadamente 9 milhões de sacas/mês ,se o suprimento de café da origens for interrompido , os fundos hedges não poderão blefar por muito tempo com posições vendidas.

Para corroborar mais com estas minhas afirmações, a maioria do estoque de café certificados na Bolsa de Nova York são de cafés velhos, cafés lavados velhos, que perdem suas características mais acentuadamente que os cafés naturais, então podemos dizer que o poder de estoques nos países importadores é mais frágil que a realidade dos números de estoques.

Finalizando, nesta semana recebi uma ligação do Vaticano, e me disseram que exportar café abaixo do custo não é apenas extrema burrice e pecado, também é crime, pois prejudica milhões de pessoas produtoras de café de países pobres, tornando-os mais miseráveis ainda, que governos que permitem esta sandice, são mal-intencionados, que aqueles que o fazem arderão no fogo do inferno.

Agora só falta alguém argumentar que uma Nação instituir PREÇO REFERÊNCIA DE EXPORTAÇÃO baseado em custo de produção é interveniência no mercado, o Vaticano também me alertou que se alguém disser isto, deve ir direto para o paredão, assim eles encaminham mais rapidamente para as profundezas do além.

Se alguém quiser debater esta medida de PREÇO REFERÊNCIA DE EXPORTAÇÃO nos impactos na cadeia do café, estou à disposição , aproveitando , tenho outras sugestões para tirar o café do marasmo que se encontra há décadas.

Marco Antonio Jacob 07/04/2013

 

 

 

 









 

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