06/02/2012 10:02:46
Granelização proporciona diferencial na qualidade do café armazenado e gera aumento na rentabilidade do produtor
Armazenagem do produto por meio de silos reduz o custo da estocagem e possibilita a diminuição de perdas, além de ser uma alternativa sustentável.
As vantagens e a orientação sobre o processo de granelização do café foi um dos destaques da FEMAGRI 2012 (Feira de Máquinas, Implementos e Insumos Agrícolas), realizada em Guaxupé (MG), entre os dias 1º e 3 de fevereiro. O estado de Minas Gerais é responsável por cerca de 24 milhões de sacas de café por safra, o que representa cerca de 50% da produção nacional.
O evento, promovido pela Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé), seguiu os conceitos da OIC (Organização Internacional do Café), que estimula o uso de recursos e estratégias necessárias para o cultivo sustentável.
De acordo com especialistas, o armazenamento do café é de fundamental importância para a manutenção da qualidade final do produto. Além disso, por essa etapa anteceder a comercialização, ela é cada vez mais importante em virtude das exigências do mercado cafeeiro internacional e para que seja possível alcançar uma melhor cotação do produto.
No Brasil, atualmente, o sistema de armazenagem convencional utiliza sacos de juta. No entanto, a necessidade crescente de se encontrar um sistema alternativo de armazenagem mais eficiente, mais prático e de menor custo está favorecendo a ampliação e modernização do sistema de estocagem a granel em silos.
Neste cenário, segundo estudos da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, a granelização é a alternativa mais adequada para o manuseio do café desde a fazenda até o preparo e a comercialização. A pesquisa considera ainda que o estoque a granel é a maneira mais eficiente de armazenar o café por acreditar que exista maior facilidade no controle da qualidade do produto.
De acordo com Jorge Florêncio Ribeiro Neto, gerente de comunicação e marketing da Cooxupé, o projeto de granelização da cooperativa foi desenvolvido de uma forma que possibilita 100% de rastreabilidade e personalização do lote recebido.
“Desenvolvemos um método pioneiro de estocagem em bag’s, com capacidade para 1.200 kg, que permite a personalização com a identificação do produtor e o rastreamento de todo lote por meio de chip e de outros recursos tecnológicos. Dessa forma, conseguimos manter o histórico do café durante todo o processo”, diz Ribeiro Neto.
De acordo com a direção da Cooxupé, a maioria dos cooperados já faz a entrega a granel. O núcleo de Monte Santo de Minas, pioneiro no projeto de granelização, recebe cerca de 64% do café a granel.
Durante o processo de orientação aos cafeicultores sobre o processo de granelização, os técnicos da Cooxupé demonstram as vantagens em relação ao método tradicional e as adaptações que podem ser realizadas com baixo investimento e sem comprometer a qualidade da produção.
Entre as possibilidades, os métodos mais utilizados são a adaptação de tulha como silo, o “bag fixo”, o siloflex, entre outros. “O importante é que o cafeicultor não precisa fazer grandes investimentos. As técnicas de granelização são flexíveis e ele pode utilizar a sua realidade por meio de adaptações”, afirma Ribeiro Neto.
O presidente da Cooxupé, Carlos Paulino, afirma que outra vantagem é a possibilidade do uso consciente de embalagens como sacas e bag’s, que favorecem o meio ambiente e podem reduzir o custo da operação em até 90%. "Com a granelização temos uma redução significativa nos preços. Além de um ganho de manejo dentro dos armazéns", diz Paulino.
O cafeicultor Adilson de Souza Prado, cooperado em Caconde (SP), aposta na nova técnica como uma solução para a redução dos custos de produção. "Vou entregar meu café a granel e diminuir meus gastos com sacarias".
Já o cafeicultor Delson Freitas Mazzilli, cooperado de Carmo do Rio Claro, aderiu à inovação da granelização em 2011, entregando metade da produção em sacas e a outra metade a granel.
11ª Femagri
A Feira de Máquinas e Implementos Agrícolas para a lavoura de café terminou sexta-feira, dia 03, em Guaxupé/MG. Promovida pela Cooxupé – a maior cooperativa de produtores de café do mundo – a Feira movimentou cerca de R$ 35 milhões em negócios. Com foco na mecanização e na sustentabilidade no campo, o espaço contou com mais de 100 estandes, fazenda experimental, palestras sobre plantas de cobertura - tecnologia inovadora que através de 130 plantas específicas, auxiliam na produção de café, combatendo pragas e diminuindo o uso de defensivos agrícolas - balcão de negócios e lançamento de produtos. Além disso, o visitante encontrou o Espaço Mulher, artesanatos, praça de alimentação, estacionamento, posto médico, internet wireless, acesso ao portal do cooperado, dentre outros.