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04/12/2006

 

Embrapa Café: é tempo de prevenir a cercosporiose

 

 

A cercosporiose, também conhecida por mancha-de-olho-pardo, é causada pelo fungo Cercospora coffeicola e está presente em todas as regiões cafeeiras do Brasil. Atualmente, com a implantação de lavouras nos cerrados ou em áreas de baixa fertilidade natural, os prejuízos com a doença ganharam maior importância econômica, não somente porque há relação entre o ataque da cercóspora e a nutrição mineral das plantas, mas também porque essas regiões apresentam condições de clima e solo mais favoráveis ao ataque do fungo.

Segundo informações da assessoria da Embrapa Café, em culturas irrigadas por aspersão os cuidados com a doença devem ser ainda maiores, pois o molhamento foliar favorece a cercosporiose, podendo resultar em prejuízos consideráveis. A mancha-de-olho-pardo ocorre em todas as fases de desenvolvimento da cultura. Nas mudas, as lesões nas folhas podem provocar a desfolha da planta. No campo, as folhas lesionadas podem cair e disseminar o fungo para os frutos, justamente onde ocorrem os maiores prejuízos.

Os danos têm início quatro meses após o florescimento, quando o ataque do fungo pode causar a queda dos chumbinhos. Nos frutos, as lesões, caracterizadas por pequenas manchas castanhas e deprimidas, que ocorrem quatro a seis meses após o florescimento, são as que mais prejudicam a qualidade da bebida, pois fazem com que a casca fique aderida ao pergaminho, dificultando seu desprendimento durante o beneficiamento.

É por essa razão que a fitopatologista do Instituto Biológico, Flávia Rodrigues Alves Patrício, chama a atenção para o controle preventivo da doença. “Assim como para as demais doenças do cafeeiro, o controle preventivo é fundamental para reduzir os danos causados pela cercosporiose em lavouras atacadas, pois, quando as lesões são observadas nos frutos, já é muito tarde para controlar a cercosporiose”, destacou.

Sintomas — O fungo causa lesões nas folhas e nos frutos. Nas folhas, as lesões são mais ou menos circulares, com 0,5 a 1,5 cm de diâmetro, de coloração pardo clara, com o centro branco-acinzentado. Segundo artigo dos pesquisadores da Epamig, Sara Maria Chalfoun e Vicente Luiz de Carvalho, podem ocorrer variações nos sintomas, como a ausência do halo amarelado, denominada em algumas regiões como “cercóspora negra”. Eles ensinam que o fungo necessita, para se desenvolver, de umidade relativa alta, temperatura amena e excesso de insolação ou maior luminosidade.

Flávia explicou que as lesões conhecidas como mancha-de-olho-pardo são as mais comuns, mas também podem ocorrer lesões mais escuras de tamanho variado, especialmente no final do ciclo da cultura. As lesões também podem ter um halo amarelado, sintoma que no campo pode ser confundido com a mancha-aureolada, causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. Garcae.

A pesquisadora lembrou, ainda, que o contrário também pode acontecer, ou seja, lesões nos frutos causadas pelo sol podem ser confundidas com as causadas por Cercospora coffeicola. Uma dica prática para o diagnóstico é verificar a presença das lesões nas folhas. Caso não sejam observadas folhas com lesões características de cercosporiose na lavoura, provavelmente as lesões verificadas nos frutos são causadas pela insolação.

Controle — As medidas culturais são muito importantes para o controle da cercosporiose. Os cuidados devem ser iniciados pela produção de mudas sadias, sob substrato adubado adequadamente, em viveiro bem instalado. Em viveiros, o controle químico é muitas vezes necessário, especialmente antes da aclimatação das mudas para serem levadas ao campo.

Chalfoun e Carvalho ressaltam que “em lavouras adultas, a nutrição deficiente e desequilibrada, solos argilosos, arenosos ou compactados, sistema radicular deficiente e pião torto são fatores que favorecem o desenvolvimento da cercosporiose. Trabalhos de pesquisa mostram que, principalmente a deficiência de nitrogênio predispõe as plantas de café ao ataque do fungo. As condições de solo e de sistema radicular estão indiretamente relacionadas com a intensidade da doença e diretamente com a nutrição das plantas, condicionando o desenvolvimento do fungo”.

Por essas razões, é extremamente importante que as lavouras cafeeiras sejam bem formadas e conduzidas, além de adubadas de acordo com a recomendação da análise de solo e, em lavouras atacadas, é interessante a realização de análises foliares complementares. Deve-se ressaltar que as mudas de qualidade são fundamentais para a formação de lavouras saudáveis.

Dezembro: hora de controle no campo — A maior parte dos programas de tratamento fitossanitário para a cultura do cafeeiro inclui o controle preventivo da cercosporiose. Segundo orientação do consultor do CBP&D/Café (Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café), Roberto Antônio Thomaziello, deve ser bem enfatizado o controle preventivo em regiões com histórico da doença, com pulverizações em dezembro e fevereiro, visando, principalmente, reduzir o inoculo presente nas folhas. Podem ser utilizados produtos sistêmicos, como os benzimidazóis e o tebuconazole, as estrubilurinas, além dos cúpricos e das misturas de cúpricos e sistêmicos.

 

 

 









 

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