UFLA: renda média do produtor rural volta a cair – preço do café é um dos responsáveis

08:50:46 -

No mês de setembro, o Índice de Preços Recebidos (IPR), referente a venda dos produtos agrícolas e o Índice de Preços Pagos (IPP), referente aos insumos gastos pelos produtores rurais no Sul de Minas Gerais, ficaram em baixa. O IPR apresentou queda de -2,65% e o IPP ficou com uma ligeira baixa, de -0,04%. “Foi um mês extremamente ruim para a renda do produtor rural. No período, somente o grupo do leite apresentou elevação de preço, em 2,79%”, avalia o professor Renato Fontes (DAE/UFLA), coordenador da pesquisa.

De janeiro a setembro de 2013, o IPR, na sua estruturação em grupos, demonstrou resultados de elevação de renda para os produtores de hortaliças e frutas em 15,89% e pecuaristas de leite em 12,69%, enquanto os produtores de grãos apresentam uma diminuição na renda de -6,85%.

O café foi, novamente, o destaque negativo, pois vem apresentando queda da renda de -21,35%, no período. Para o professor Renato Fontes, “queda do preço do café é o principal responsável pelo fato da renda média dos produtores apresentar resultado negativo no ano (em -3,92% até o momento). Pelas características produtivas da região Sul de Minas Gerais, a commodity café tem elevada importância na composição da renda média”.

Somente em setembro, o café teve seu preço reduzido em -7,24% e, conforme explica o professor Renato Fontes, essa queda de preço é muito bem entendida e referendada pela teoria econômica: neste período está havendo a finalização da colheita do produto, gerando custos altos para os cafeicultores, que precisam vendê-lo para pagar as contas. Com isso, há uma elevação da oferta, ou seja, há mais café no mercado causando a redução dos preços.

O IPP apresentou redução de -0,04%. Os insumos agropecuários como ração, defensivos, vacinas e parasiticidas apresentaram queda de preços e foram os insumos que mais contribuíram para a baixa do IPP

 

Ascom UFLA

14/10/2013 Mateus Lima

 

 


Produtores pedem definição mais rápida da política para o café

08:52:21 -

As medidas adotadas pelo governo para ajudar na recuperação do preço do café, que enfrenta uma crise internacional de preços, com reflexos no mercado doméstico, ainda não surtiram efeito no custo da saca comercializada no Brasil. O valor da saca de 60 quilos da variedade arábica está entre R$ 260 e R$ 280, dependendo da localidade do país. Para entidades representativas dos produtores, a demora no socorro ao setor dificultou a reação. Elas cobram do poder público definição antecipada das políticas para a próxima colheita.

“Até agora, o mercado não absorveu o programa de opções [leilões de contratos de opção de venda do grão] nem a liberação de recursos do Funcafé [Fundo de Defesa Econômica Cafeeira]. Os recursos [do Funcafé] saíram com mais de 80% da safra colhida. Tendo políticas clareadas, transparentes para a safra que começaria, o mercado reagiria de forma diferente. Agora temos que aguardar um pouco para ver como ele vai se comportar”, destaca Breno Mesquita, presidente da Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A demora na liberação dos recursos do Funcafé, que disponibilizou no mês passado R$ 3,1 bilhões de R$ 5,8 bilhões previstos para o setor, ocorreu porque houve atraso na aprovação do Orçamento de 2013 pelo Congresso Nacional. Depois, foi necessário o aval do Conselho Monetário Nacional (CMN) para liberação do dinheiro. Agora, segundo Mesquita, é a greve dos bancos, iniciada há duas semanas que está dificultando o acesso ao crédito.

Ele critica também o que considera morosidade na oficialização de medidas como os leilões de contratos de opção de venda, encerrados na última semana, e a elevação do preço mínimo. Além disso, para os cafeicultores, o reajuste de 17% no valor, que agora está em R$ 307, não foi suficiente para cobrir os custos de produção. O setor desejava reajuste para R$ 350.

“Dependendo do sistema, é um custo de R$ 350 a R$ 400 por saca [para produzir]. Nas safras anteriores o preço estava bom. O cafeicultor investiu na atividade e teve maior produtividade que a normal. Agora vende abaixo do custo de produção. Isso é a quebra. Ninguém consegue trabalhar. O café é uma cultura perene, não se pode arrancar o pé e plantar outro ano. Políticas para culturas perenes têm que ser diferenciadas”, defende Breno Mesquita.

Para dar fôlego ao setor, a CNA solicitou ao governo a suspensão da cobrança de débitos dos cafeicultores por três meses. Nesse período, a entidade e o Conselho Nacional do Café (CNC) levantariam a real situação de endividamento dos produtores e discutiria soluções com o governo. O secretário adjunto de Política Agrícola da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, João Rabelo, confirmou à Agência Brasil que o órgão recebeu e está estudando o pedido de interrupção temporária da cobrança dos débitos. De acordo com ele, caso haja decisão favorável, ela deve ser divulgada na próxima reunião do CMN, prevista para o dia 31 de outubro.

A CNA e o CNC reivindicam a definição de políticas com antecedência e garantias para a safra seguinte. Segundo o deputado Silas Brasileiro (PMDB-MG), presidente do CNC, no próximo dia 23 haverá reunião do Conselho Deliberativo de Política Cafeeira, no Ministério da Agricultura, e a reivindicação será um dos temas em discussão. “Temos uma pauta extensa. Queremos negociar com antecedência os recursos [para a próxima safra]”, informou. Na avaliação de Silas, a recuperação do preço do café acontecerá, mas será demorada. “A reação virá, mas será mais lenta. O mercado é especulativo, fica aguardando que o recurso chegue na ponta. Pelo menos o preço estabilizou, não está mais caindo”, destacou.

 

Reportagem: Mariana Branco / Edição: Beto Coura

 

 

 


Café especial de Carmo de Minas é eleito o melhor cereja descascado/despolpado do Brasil em 2013

08:54:56 -

O café produzido no Sítio São Francisco de Assis, por Marisa Coli Noronha, obteve a maior nota do 14º Cup of Excellence - Early Harvest - Brasil 2013, o principal concurso de qualidade do País

 

O café produzido por Marisa Coli Noronha, no Sítio São Francisco de Assis, em Carmo de Minas, região da Mantiqueira de Minas Gerais, foi eleito, na sexta-feira, 11 de novembro, o melhor cereja descascado/despolpado do Brasil na safra 2013. A definição foi concedida pelo júri internacional do 14º Cup of Excellence - Early Harvest, concurso realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Alliance for Coffee Excellence (ACE).

Após a análise dos jurados internacionais, outros 31 lotes também foram eleitos vencedores do principal concurso de qualidade para cafés produzidos por via úmida no País ao obterem nota superior a 85 pontos, na escala de 0 (zero) a 100 do Cup of Excellence. Os dois primeiros classificados, o café do Grupo Sertãozinho produzido na Fazenda Rainha, em São Sebastião da Grama, na Mogiana Paulista, e o campeão, alcançaram notas superiores a 90 pontos e foram considerados cafés presidenciais (veja o resultado completo no site da BSCA - http://bsca.com.br/cup-of-excellence.php?id=19).

Uma novidade no certame deste ano foi a eleição dos melhores cafés por região produtora. Além do campeão, vencedor da Mantiqueira de Minas Gerais, e do vice, vitorioso pela Mogiana de São Paulo, o café produzido por Marcos Antônio Nalli, no sítio Sertão da Bateia, em Castelo, foi o melhor das Montanhas do Espírito Santo; o grão cultivado por Eduardo Pinheiro Campos, na Fazenda Dona Nenem, em Presidente Olegário, foi o vencedor do Cerrado Mineiro; o café de Candido Vladimir Ladeia Rosa, da Fazenda Ouro Verde, em Piatã, foi o melhor do Planalto da Bahia; e o café do grupo Orfeu, da Fazenda Sertãozinho, em Botelhos, sagrou-se vencedor no Sul de Minas Gerais.

O degustador brasileiro Silvio Leite, convidado para participação especial na fase internacional do concurso, destaca a qualidade dos cafés vencedores. “Tive a oportunidade de provar os 10 primeiros classificados, os quais possuem um nível qualitativo excepcional, apresentando atributos diversos de corpo e sabor, remetendo a chocolate, baunilha e caramelo, além de possuírem toque de acidez cítrico/tartárico diferenciado, fato que impressionou muito os juízes internacionais”, comenta.

LEILÃO DOS VENCEDORES

Os 32 vencedores do Cup of Excellence – Early Harvest Brasil 2013 ganharam o direito de serem ofertados no concorrido leilão, pela internet, que a organização do concurso fará no dia 27 de novembro deste ano. No pregão do concurso anterior, todos os cafés foram negociados, gerando uma receita total de US$ 395.096,52 (* R$ 802.045,94), a uma média de US$ 5,54 por libra-peso, o que equivaleu a US$ 732,83 (* R$ 1.487,64) por saca de 60 kg e representou alta de 270,20% sobre o fechamento do dia na Bolsa de Nova York (US$ 1,4965 por libra-peso em 10 de janeiro de 2013).

Ao término dos negócios, o maior lance registrado foi de US$ 12,10 por libra peso (alta de 708,55% ante NY), pago pelo consórcio formado pelas empresas japonesas Maruyama Coffee, Saza Coffee, Uchida Coffee e Coffee-a-gogo, além da empresa Orsir Coffee, de Taiwan. Esse valor representou US$ 1.600,59 (* R$ 3.249,20) pagos por cada uma das 17 sacas da Fazenda do Moinho, situada em Olímpio Noronha (MG). O lote rendeu um total de US$ 27.209,45 (* R$ 55.235,18) ao produtor Vinícius José Carneiro Pereira, vencedor do concurso destinado exclusivamente aos cafés brasileiros produzidos por via úmida (cerejas descascados ou despolpados) na safra 2012.

PATROCÍNIO E APOIO

A edição 2013 do Cup of Excellence – Early Harvest é patrocinada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), auditada pelo Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG) e conta com o apoio institucional da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), da Associação dos Produtores de Café da Mantiqueira (Aprocam), da CarmoCoffees, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé) e do Conselho Nacional do Café (CNC).

* Dólar cotado a R$ 2,030 no fechamento de 10/01/2013.

 

BSCA – Assessoria de Comunicação

Paulo André Colucci Kawasaki

(61) 8114-6632 / ascom@bsca.com.br

 

 


Brasil aprova norma para Produção Integrada do Café

08:58:26 -

A medida, aprovada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, visa garantir sustentabilidade da produção por meio de boas práticas agrícolas

A Produção Integrada do Café é uma iniciativa brasileira que tem como tem como foco tornar o processo produtivo do café mais sustentável, por meio da adoção das Boas Práticas Agrícolas, rastreabilidade e sustentabilidade econômica, social e ambiental. A medida vem ao encontro das exigências dos consumidores, que já cobram e valorizam condições apropriadas de produção e certificação do produto. A Instrução Normativa (IN) nº 49,que estabelece as normas técnicas específicas para a Produção Integrada do Café, foi publicada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa no Diário Oficial da União (DOU) do dia 25 de setembro. A norma será um dos temas em debate durante o VIII Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, a ser realizado em Salvador-BA, de 25 a 28 de novembro. O evento é uma promoção do Consórcio Pesquisa Café, cujo programa de pesquisa é coordenado pela Embrapa Café

A Instrução Normativa incentiva a adoção de tecnologias de melhor eficiência produtiva e econômica e baixo impacto ambiental e favorece a rastreabilidade da produção e do produto, desde a instalação da lavoura até a comercialização. Seus princípios atendem às exigências internacionais de custos reduzidos e fácil aplicabilidade a pequenos e médios produtores. Além disso, prevê o aperfeiçoamento gradativo e contínuo de maior número de cafeicultores, a ser realizado de acordo com a demanda do setor. Estima-se que o primeiro treinamento para auditores e responsáveis técnicos ocorra no início de 2014. A adesão é voluntária, podendo ser feita por cooperativas, associações e de forma individual.

Tópicos da norma - A IN nº 49 determina os requisitos obrigatórios, recomendados e proibidos para 15 áreas temáticas: gestão da propriedade; organização de produtores; gestão ambiental; material propagativo; localização e implantação de cafezais; fertilidade do solo e nutrição do cafeeiro; manejo do solo, da cobertura vegetal e do cafeeiro; disponibilidade de água e irrigação; proteção integrada do cafeeiro; colheita; pós-colheita; monitoramento de resíduos de agrotóxicos; legislação trabalhista, segurança, saúde e bem estar do trabalhador, registro de informações, rastreabilidade e verificação de conformidade; e certificação.

Entre as obrigatoriedades previstas estão: identificação de possíveis fontes de poluição, dentro e fora da propriedade; manutenção de áreas de proteção biológica; disposição de lugares seguros e limpos para armazenagem; realização de análise anual de solo; manutenção de programa e monitoramento de resíduos de agrotóxicos nos grãos de café; registro da remuneração dos trabalhadores de acordo com a legislação vigente, adotando medidas para reduzir acidentes e a insalubridade no ambiente de trabalho. Entre as proibições: cultivo de café em áreas de proteção ambiental, preservação permanente ou em áreas de desmatamento ilegal recente; formação de lavouras em áreas vedadas pela legislação ambiental; aplicação de herbicida sem uso de Equipamentos de Proteção Individual – EPIs, utilização de agrotóxicos via água de irrigação; e uso de agrotóxicos sem registro para café no Brasil. Ainda sobre agrotóxicos, prevê que toda tomada de decisão sobre a aplicação de pesticidas, fertilizantes e de corretivos agrícolas só deverá ser feita se o monitoramento indicar a necessidade, o que significa além da preservação ambiental, economia de custos com insumos agrícolas, mais segurança alimentar e saúde para o trabalhador e o consumidor.

Saiba mais sobre o assunto na entrevista com o coordenador de produção integrada da cadeia agrícola do Mapa, Marcus Vinícius de Miranda Martins, fiscal federal agropecuário e engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Lavras – Ufla.

Embrapa Café: O que é a Produção Integrada do Café, como surgiu a motivação brasileira para esse iniciativa? Além do Ministério da Agricultura, quais instituições estão à frente desse processo?

Marcus Martins: Produção Integrada é um sistema de produção que gera alimentos e demais produtos de alta qualidade e seguros, mediante a aplicação de recursos naturais e regulação de mecanismos para a substituição de insumos poluentes, garantindo a sustentabilidade e viabilizando a rastreabilidade da produção agropecuária. Atualmente, a Produção Integrada tem atuação em mais de 30 cadeias produtivas agrícolas, entre elas, a cadeia produtiva do café. Essa iniciativa teve início em 2005, em uma parceria entre o Mapa e a Universidade Federal de Viçosa - UFV e tem como foco tornar o processo produtivo do café mais sustentável, por meio da adoção das Boas Práticas Agrícolas, rastreabilidade e sustentabilidade econômica e social. A implantação da Produção Integrada na cultura do café representa opção técnica e ambientalmente vantajosa para o controle dos principais problemas que afetam essa cultura. Diversas instituições participaram desse trabalho, entre UFV, Embrapa Café, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - Epamig, Ufla e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq.

Embrapa Café: O que é rastreabilidade e certificação de produto agrícola e como surgiram no Brasil? Como têm sido aplicados tradicionalmente à cultura do café?

Marcus Martins: Rastreabilidade na agropecuária pode ser definida como a identificação, acompanhamento e registro de todas as fases operacionais do processo produtivo, desde a fonte da produção até a comercialização. Certificar é garantir a procedência, qualidade, especificação e modelo de produção. Rastrear e certificar são processos que já são adotados há muitos anos em vários países e em vários setores da indústria, comércio e agricultura. Não dá para se precisar uma data específica, mas destacam-se como exemplos de adoção de rastreabilidade e certificação na agropecuária: a produção de carne e de frutas que, por exigências de outros países, tiveram que adotar esses processos para se garantir mercado. Na cultura do café, já existem várias protocolos de certificação, mas o diferencial da Produção Integrada é que é um processo de certificação com chancela de governo, no caso, do Mapa e do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia - Inmetro.

Embrapa Café: De forma prática, como deverá funcionar a Produção Integrada do Café para que os objetivos de rastreabilidade, sustentabilidade e certificação sejam alcançados? Como esse sistema de produção propicia a realização desses três importantes valores agregados?

Marcus Martins: A metodologia de trabalho da Produção Integrada, de uma maneira geral, inicia-se com palestras de sensibilização de produtores e técnicos sobre o histórico, conceitos e situação atual da Produção Integrada. Posteriormente apresenta-se a norma da Produção Integrada do Café para que seja validada em campo nas diferentes regiões do Brasil. Produtores que quiserem se certificar pela Produção Integrada devem começar a adotar a norma pelo menos um ano antes da solicitação de certificação, para que possa haver um registro histórico das informações de produção, base para se obter a rastreabilidade e solicitar a auditoria de certificação. Antes de se obter a certificação, é necessário que ocorra a capacitação dos auditores das certificadoras e dos responsáveis técnicos das propriedades rurais. Instituições com corpo técnico qualificado podem organizar essas capacitações, desde que sigam a ementa dos cursos que consta em documento anexo às normas.

Embrapa Café: Como produtor, trabalhador, consumidor e sociedade serão beneficiados com a implantação da Produção Integrada do Café em lavouras brasileiras?

Marcus Martins: O café certificado pela adoção da produção integrada garante que o produtor cumpre a legislação vigente e produz café com rastreabilidade e sustentabilidade econômica, ambiental e social. O consumidor que adquirir esse café certificado terá a garantia de estar consumindo um alimento seguro e com garantia de qualidade.

Embrapa Café: O consumidor vem adquirindo consciência crescente sobre a importância de comprar produtos de qualidade. Mas muitos ainda dão preferência para o produto mais barato. A norma de Produção Integrada do Café deverá equacionar essa questão ao melhorar a qualidade também dos cafés de menor preço, mais acessível à população de baixa renda? A certificação poderá abarcar todos os tipos de café e preferências dos consumidores? Por que o consumidor deve preferir comprar produtos certificados?

Marcus Martins: Café certificado tem garantia de qualidade porque anualmente recebe uma auditoria que irá verificar se ele cumpre as normas de certificação. O cumprimento das normas de produção integrada pelo produtor garante que aquele café é seguro para o consumo. Os produtos certificados têm maior valor agregado, mas não necessariamente precisam ser mais caros. À medida que houver mais produtos certificados no mercado, mais baratos se tornarão. Pesquisas comprovam que atualmente o consumidor está disposto a pagar um pouco a mais no preço do produto para obter um produto com garantida de origem e qualidade.

Embrapa Café: Do ponto de vista ambiental, quais são os ganhos propiciados a partir da aplicação das normas da Produção Integrada do Café? Como será feito o monitoramento da aplicação de pesticidas, fertilizantes e de corretivos agrícolas para que sejam usados na medida da necessidade? O que isso poderá trazer de valor agregado ao produto?

Marcus Martins: Todo produto certificado pela produção integrada deve cumprir legislação vigente, inclusive a ambiental. O monitoramento do uso de insumos é feito por meio dos registros de todas as etapas da produção, inseridos em cadernos de campo e em cadernos de pós-colheita. Além disso, o produtor deve adotar todas as recomendações técnicas para a cultura e também as Boas Práticas Agrícolas. Todo esse acompanhamento do processo produtivo garante um produto com valor agregado, o que pode ser comprovado por testes laboratoriais, melhor apresentação, maior durabilidade e melhor sabor.

Embrapa Café: Tem conhecimentos sobre os estudos ligados à Produção Integrada do Café já realizados pelo Consórcio Pesquisa Café, cujo programa de pesquisa é coordenado pela Embrapa Café, e dos principais resultados obtidos? Teria sugestões de como o Consórcio Pesquisa Café poderia direcionar suas pesquisas e atividades de transferência de tecnologia para atender o desafio da Produção Integrada do Café?

Marcus Martins: Estive na última reunião do Consórcio Pesquisa Café, na qual foram apresentados o planejamento e os resultados já alcançados na execução dos trabalhos. Para a Produção Integrada do Café, é importante focar na pesquisa básica e de suporte em Manejo Integrado de Pragas - MIP; em mecanismos de adoção de rastreabilidade na cadeia produtiva do café e no desenvolvimento de tecnologias para uso racional de insumos agropecuários.

Embrapa Café: Acredita que as propriedades, de forma geral, estão preparadas para essa nova fase da cafeicultura? Como o Ministério e demais instituições estão se articulando para dar condições de efetiva implantação das normas de produção integrada do café no Brasil? Quais as ações já realizadas e as que estão por acontecer? Como será conduzida a adesão dos produtores?

Marcus Martins: A cadeia produtiva do café é uma das mais organizadas do agronegócio brasileiro e, portanto, os produtores não terão dificuldades em adotar as normas da Produção Integrada do Café. No curto prazo, nosso objetivo será realizar palestras de divulgação e sensibilização junto ao setor produtivo e, a médio prazo, elaborar campanha de promoção e divulgação tanto para o produtor quanto para o consumidor. Como a norma foi publicada há poucos dias, nesse momento, estamos na fase de elaboração de estratégias. Fomos convidados para apresentar, em novembro, a norma durante o VIII Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil. A adesão dos produtores poderá ocorrer individualmente ou por meio de grupo de produtores. Nesse último caso, a associação ou cooperativa solicita a certificação em grupo, o que irá baratear os custos da certificação.

Embrapa Café: Para quando estão previstos os treinamentos para capacitação de técnicos? E a capacitação de produtores? Onde os produtores podem obter mais informações sobre a norma da Produção Integrada do Café, adoção da prática e o andamento das ações?

Marcus Martins: Estima-se que o primeiro treinamento para auditores e responsáveis técnicos ocorra no início de 2014. Quanto à capacitação de produtores, ela é contínua e acontecerá de acordo com a demanda do setor produtivo, podendo ocorrer sempre que houver demanda. As informações podem ser obtidas diretamente no MAPA pelo sitio (www.agricultura.gov.br), por email (producao.integrada@agricultura.gov.br ) ou por telefone (61-32182390).

Embrapa Café: Como está a expectativa dos produtores de café e da sociedade em geral em relação à aplicação e resultados da norma da Produção Inegrada do Café?

Marcus Martins: A norma da Produção Inegrada do Café é um anseio do setor produtivo desde 2007, portanto foi muito bem recebida por quem tem interesse em produzir um café com sustentabilidade e garantia de origem. À medida que a norma for divulgada, temos certeza de que mais pessoas terão interesse em conhecê-la e adotá-la.

Embrapa Café: Há produtores de café que se adiantaram e já aplicam as diretrizes da Produção Inegrada do Café ou já adotam normas de certificação em suas propriedades? Como é feito o processo de certificação e quanto tempo dura?

Marcus Martins: Não temos conhecimento do número exato de produtores que já adotam as diretrizes da Produção Integrada do Café mas, especialmente em Minas Gerais, onde o trabalho a campo foi produzido, sabemos que muitos têm condições de adotar as normas.

Embrapa Café: A Produção Inegrada do Café e a certificação repercutem de que forma no mercado nacional e internacional? Do ponto de vista socio-econômico e ambiental, quais são os resultados e os impactos esperados para o agronegócio café e a economia brasileira?

Marcus Martins: O mercado nacional ainda não valoriza, como deveria, produto certificado com garantia de origem e com valor agregado, diferentemente dos mercados internacionais que exigem produtos com rastreabilidade ou certificados. Os resultados esperados são bastante promissores, seja por exigência dos compradores de café seja por iniciativa própria do setor produtivo.

Embrapa Café: Teria mais informações a acrescentar sobre o assunto?

Marcus Martins: Esperamos para 2014 uma grande adesão dos produtores brasileiros à Produção Integrada do Café com vistas à agregação de valor ao café brasileiro.

Conquista de todos - A norma sobre Produção Integrada do Café é resultado do esforço conjunto de pesquisadores, agentes da cadeia produtiva e consumidores cada vez mais conscientes da necessidade de investir em qualidade e valor agregado ao produto por meio da adoção de boas práticas agrícolas, visando à sustentabilidade econômica, social e ambiental. Em outras palavras, a norma é uma adaptação do conjunto de diretrizes técnicas desse sistema de produção em mecanismos de regulação para produzir alimentos de alta e diferenciada qualidade com sustentabilidade e competitividade.

Confira edição do Prosa Rural, programa de rádio da Embrapa, sobre “Produção Integrada do Café, caminho para a sustentabilidade”

emhttp://hotsites.sct.embrapa.br/prosarural/programacao/2013/producao-integrada-de-cafe-caminho-para-sustentabilidade.

Consórcio Pesquisa Café – Criado em 1997, congrega instituições de pesquisa, ensino e extensão localizadas nas principais regiões produtoras do País. Seu modelo de gestão incentiva a interação das instituições e a otimização de recursos humanos, físicos, financeiros e materiais. Foi criado por dez instituições: Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola - EBDA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - Epamig, Instituto Agronômico - IAC, Instituto Agronômico do Paraná - Iapar, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural - Incaper, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro - Pesagro-Rio, Universidade Federal de Lavras - Ufla e Universidade Federal de Viçosa - UFV.

Avanços da cafeicultura no Brasil – Segundo o Informe Estatístico do Café - Dcaf/Mapa - a área de produção e a produtividade do café, em 1997, quando da criação do Consórcio Pesquisa Café, era de 2,4 milhões de hectares de área cultivada, com produção de 18,9 milhões de sacas de 60kg e produtividade de 8,0 sacas/hectare. Passados 16 anos, em 2013, de acordo com o segundo levantamento de safra da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab (maio/2013), com praticamente a mesma área cultivada – 2,3 milhões de hectares - o País deverá produzir 48, 5 milhões de sacas, com uma produtividade de 23,8 sacas/ha.

VIII Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil – De 25 a 28 de novembro, em Salvador-BA. Inscreva-se, participe e divulgue. Mais informações em http://www.simposiocafe.sapc.embrapa.br/

Gerência de Transferência de Tecnologia

Texto: Flávia Bessa – MTb 4469/DF

Fone: (61) 3448-1927

 


Governador de Minas recebe prefeitos e lideranças para discutir fortalecimento do café

09:26:42 -

Setor irá solicitar que Anastasia lidere a formulação de propostas para a recuperação e a sustentabilidade da cafeicultura nacional.

 

O governador de Minas Gerais, Antonio Augusto Anastasia, recebe nesta terça-feira (15), às 15 horas, na Cidade Administrativa em Belo Horizonte, uma comitiva de prefeitos de diversas regiões de Minas, além de lideranças de cooperativas de cafeicultores e de instituições nacionais e estaduais representativas do setor.

Em pauta, o fortalecimento da cafeicultura, tendo como ponto central a recuperação da renda e a sustentabilidade de preços ao produtor. Os produtores deverão solicitar ao governador que lidere a formulação de uma proposta para a cafeicultura nacional, que é de competência federal, mas que Minas como maior Estado produtor e exportador poderá contribuir de forma decisiva para a reversão de uma situação crítica de preços que asfixia produtores e trabalhadores, com reflexos negativos na economia das cidades e dos estados produtores de café.

Entre uma série de medidas que o setor irá apresentar, as lideranças ouvidas pelo Coffee Break entendem que uma ação urgente para o mercado de café, para a recuperação da renda de milhares de produtores e da economia de centenas municípios, é uma ação efetiva do Governo Federal em formar um estoque regulador, retirando do mercado 10 milhões de sacas de café.

Esta proposta foi tornada pública, tanto para o Governo como para a sociedade, por intermédio das cooperativas e sindicatos dos produtores rurais, sem contudo ter um retorno do Governo Federal, que decidiu tardiamente para retirada de apenas 3 milhões de sacas, o que naturalmente não provocou resultado, já que os preços continuam em queda.

 

Coffee Break 

 


www.coffeebreak.com.br
criado em 15/10/2013