Coopemar fez história e teve papel importante no desenvolvimento da cafeicultura brasileira

10:18:06 -

Soluções pioneiras criadas aqui possibilitaram a expansão do café nos anos 70.

 

Quem nunca ouviu falar da infestação por nematóides que quase dizimou os cafezais paulistas na década de 70? Depois de muitos problemas causados pela ferrugem e de uma geada que prejudicou boa parte dos cafezais de Marília, os cafeicultores se depararam com esse outro problema. As plantas remanescentes mostravam sinais de enfraquecimento e desnutrição e acabavam morrendo em reboleiras; as que não morriam, ficavam improdutivas, sem poder de vegetação. A causa do definhamento do cafeeiro foi umas das maiores infestações de nematóides já registradas. Mais do que a presença de nematóides conhecidos, como Prathilenchus brachiurus, Meloydogyne incógnita, Meloydogyne coffeicola e Meloydogyne exígua, foi verificada a presença de uma nova espécie, até então desconhecida no Brasil, o Prathilenchus coffea.

Pois é, para quem não sabe, a Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Marília foi pioneira na produção de mudas enxertadas resistentes a essas pragas, o que evitou a erradicação do café aqui e até quem sabe no mundo, já que atualmente o Brasil é o maior exportador de café. “Hoje, se a muda não for enxertada, não adianta nem plantar”, é o que afirma o engenheiro agrônomo François Regis Guillaumon, presidente da Coopemar há mais de 30 anos.

Em 1973, por meio de um trabalho de campo e pesquisa realizado pelos jovens engenheiros agrônomos François Regis Guillaumon e Tadeu Corsi, junto a profissionais do Instituto Agronômico de Campinas e Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ), de Piracicaba, a Coopemar “salvou” os cafezais paulistas e principalmente os da região de Marília. “Descobrimos uma variedade do robusta resistente a nematóide. Se não fosse a Coopemar não existiria mais parque cafeeiro em nossas terras. Não deixamos o café acabar. Portanto,  aqui nasceu a muda de café resistente a nematóide e logo após, as mudas em tubetes”, recorda Guillaumon.

Já em 1989, com a introdução de mais uma solução pioneira - o sistema de produção de mudas em tubetes - a cooperativa colocou à disposição dos cooperados mudas de qualidade superior e com o controle sanitário do mais alto nível. Esse estudo foi feito para possibilitar a produção de mudas mais baratas e para que o substrato da muda não tivesse contato direto com a terra contaminada. Os tubetes permitem mais saúde às plantas, oferecendo vantagens como a obtenção de mudas uniformes com melhor aproveitamento de espaço e com controle sanitário muito mais apurado, já que são preenchidos com vermiculita. A utilização de tubetes, em substituição aos tradicionais balaios de plástico, representou um grande avanço na tecnologia de produção de mudas de café.

O trabalho de enxertia e o uso de tubetes é desenvolvido até hoje no viveiro de mudas da Coopemar e foi adotado nas maiores cooperativas do Brasil. Para Valter Pereira dos Santos, classificador e degustador de café da Coopemar, a cooperativa sempre se mostrou à frente das grandes descobertas relacionadas ao café e, sem dúvida, tornou-se referência no mundo inteiro. “Em qualquer lugar do mundo em que haja enxertia de café e mudas em tubetes, com certeza, teve-se como referência o Brasil, através da Coopemar”, afirma.

A contribuição da Coopemar à cafeicultura nacional está registrada em livros sobre “Cultura de Café no Brasil”, publicados pelo Instituto Brasileiro do Café (IBC).

 “Para se ter uma ideia, a  Cooxupé (Cooperativa de Cafeicultores de Guaxupé - MG), a maior cooperativa de café do mundo veio buscar muda enxertada e mudas de tubetes aqui. Para nós isso é um orgulho! É deve ser um orgulho também para os nossos cooperados, porque todos aqueles que hoje estão na cafeicultura com mudas enxertadas devem ao nosso trabalho. Quando digo ‘nosso’, digo ‘todos’ em cooperativismo. E sempre que houver algo novo correremos atrás, a cooperativa não pode ficar parada. Faremos tudo o que for possível aos nossos, assim, mesmo que passemos por percalços, jamais ninguém vai desejar que a cooperativa acabe, pois no dia em que a cooperativa morrer, morrerá parte da agricultura da região”, conclui o presidente da Coopemar.

 

Saiba mais

Atualmente a Coopemar possui 1.307 cooperados e cinco filiais: Echaporã, Paraguaçu Paulista, Pompeia, Ocauçu, Vera Cruz, atendendo a mais de seis mil hectares de área rural em Marília e região. Os principais serviços oferecidos pela Coopemar são: assistência técnica agronômica (plantação, adubação, colheita e etc.); assistência técnica veterinária; assistência médica (Unimed); recebimento e beneficiamento do café; padronização do café; armazenagem; classificação e degustação; comercialização; viveiro de mudas de café; loja de insumos agrícolas e produtos veterinários; parceria com a Flora Paulista (viveiro de mudas de eucalipto e mudas nativas); campo experimental; balança eletrônica de alta precisão; e posto de combustíveis.

Seus principais parceiros são: Flora Paulista (Associação Paulista de Recuperação e Preservação da Ecologia); SINCOAGRO (Sindicato das Cooperativas Agropecuárias do Estado de São Paulo); OCESP (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo); SESCOOP-SP (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo); Prefeitura Municipal de Marília; Unimed de Marília; Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; IAC (Instituto Agronômico de Campinas); e, IB (Instituto Biológico da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios).

 

Fonte: Asscom Coopemar

 


Rotulagem: a porcentagem de arábica e de robusta e a tolerância e toxinas

10:34:54 -

Por Armando Matielli

 

O P.V.A (preto, verde e ardido), é o resíduo de café que não tem mercado externo.Em sua totalidade, esse P.V.A é utilizado na torrefação nacional e consumido pelo povo brasileiro. No comércio, o preço do café torrado e moído está próximo do custo da matéria prima de um café verde normal, demonstrando que a maioria do café que bebemos não passa de resíduo de café, que deveria ser descartado ou transformado em biodiesel ou óleo para finalidades diversas.

O P.V.A em questão provoca uma inadequação, descaracterizando o verdadeiro sabor e prejudicando a qualidade. Misturam, ainda, nele o Conilon / Robusta na faixa de 12.000.000 de sacas que são consumidas internamente, as quais, somadas ao P.V.A quase  equivale ao nosso consumo interno, de um café de qualidade muito inferior.

Com exceção de fazendas e algumas firmas que se preocupam em fornecer cafés gourmet e de qualidade, a grande maioria dos cafés vendidos principalmente nos supermercados está longe da qualidade desejada, inibindo o aumento do consumo.

Assim estamos reorganizando, a ABCA (Associação Brasileira de Café Arábica), visando à defesa do Arábica e Rotulagem.

Nenhum país importa o P.V.A e estamos fornecendo ao povo brasileiro uma quantidade de cafés torrados e moídos sem o mínimo critério de TOLERÂNCIA DE RESÍDUO DE TOXINAS. Esse nível de contaminação provocado pela quantidade anormal de toxinas está ultrapassando níveis toleráveis, muito superiores ao de um país desenvolvido.

No Brasil, não existe legislação alguma impondo níveis de TOLERÂNCIA DE TOXINAS em café e estamos tomando cafés sem critérios técnicos, visando unicamente à guerra de preços e deixando a nossa população à mercê dos interesses econômicos, acima da SEGURANÇA  ALIMENTAR.  O Brasil consome um dos piores cafés do mundo em qualidade e, ainda sem especificação na rotulagem. Temos a obrigação de estabelecer níveis de TOLERÂNCIA DE TOXINAS. O Engenheiro Agrônomo Armando Matielli, que esteve presente no Seminário Internacional de Café, realizado em Belo Horizonte, de 09 a 12 de setembro, do corrente ano, contatou com diversas autoridades mostrando a necessidade da ROTULAGEM e o Marketing a favor do Arábica. Aproveitou a oportunidade e conversou com o Governador Antônio Anastasia e lhe entregou um documento expondo o relatado nesse artigo (vide foto).

É premente a ROTULAGEM do café no Brasil. O consumidor tem pleno direito de optar pelo produto que quer consumir. Não estamos lhe dando essa oportunidade de escolha do produto desejado, pois, os interesses econômicos estão acima da SEGURANÇA ALIMENTAR.

A exigência da ROTULAGEM e, as devidas composições em PORCENTAGENS DE ARÁBICAS E ROBUSTAS e, citar o nível de TOLERÂNCIA DE TOXINAS, como faz os países sérios e responsáveis em relação a sua população será a tônica do trabalho da ABCA.

Bibliografia: Micotoxinas – Importância na Alimentação e na Saúde humana e animal

EMBRAPA – Berdal J.M.; Miller, JV – Disease in Humans With Micotoxins as Possible Causes.

 

Armando Matielli é engenheiro agrônomo - MBA na FGV - Cafeicultor e membro da ABCA, estágio no Instituto de Toxicologia na Alemanha e no Centro de toxicologia da Bayer em Wuppertall.

 

 


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criado em 25/09/2013