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16/12/2011

 

Matielli: Regular é mais importante que oferta e procura

O presidente executivo da Associação Nacional dos Sindicatos Rurais das Regiões Produtores de Leite Café (Sincal), o engenheiro agrônomo, Armando Matielli, disse que a cafeicultura brasileira pode perecer em um futuro breve, caso não aconteçam mudanças políticas na gestão da cafeicultura.

 

 

Veja em entrevista exclusiva ao Coffee Break os pontos mais importantes desse balanço e as prospecções para o ano que vem:

 

O ano de 2011

“É verdade que o preço mudou, mas isso não mudou a ponto de transformar o status quo do produtor de café. A política brasileira para a cafeicultura é feita sem regulagem de fluxo do produto. O mercado está aberto demais. A regulagem é muito mais importante do que a oferta e procura.

O preço melhorou, mas ainda está longe da necessidade do produtor. Cerca de 70% da cafeicultura está nas regiões serranas, que tem um custo de produção muito mais alto e a análise de custo de produção tem ter isso como base. Somando-se mão-de-obra, mais insumos (tratos culturais), secagem, beneficiamento e transporte, a saca do arábica tem um custo hoje, nessas regiões de R$ 520,00, ou seja, o preço pago atualmente já está abaixo do custo e há lideranças que ainda dizem que está ótimo.

Temos um grande aumento de mão-de-obra, porque nós não somos mais um país de terceiro mundo e isso se reflete na formação das pessoas. Aqueles que trabalhavam na lavoura se especializaram e oferecem um serviço muito mais caro e a maioria migrou, por exemplo, para a construção civil, a procura de melhores salários.

É essencial que se mude os padrões de preço ou o Brasil sai do cenário mundial da cafeicultura”.

 

Funcafé

“A utilização de verbas do Funcafé tem sido feita concentrado nas cooperativas de crédito e no Banco do Brasil e só. Aplicam o dinheiro para quem já tem dinheiro, e o recurso não chega a quem tem dívida de fato. O Funcafé está sendo mal aplicado em decorrência da má administração de seus recursos pelas cooperativas de crédito. Isso tem que ser revisto rapidamente”.

 

Preço ideal

“O preço ideal da saca deveria ser de R$ 1.100,00, pois os custos aumentaram em 550% (diversas fontes, entre 1996 e 2010 (fonte: Cooparaiso e diversas outras). Eu digo que, no caso do produtor de café, deveria ter 50% de margem de lucro porque ele trabalha com uma cultura com mão-de-obra caríssima e escassa, tem uma atividade de alto risco, sujeita às intempéries. Os grandes compradores internacionais têm que saber disso. O preço ideal da saca deveria ser de 1.050,00, sem exageros”.

 

Previsão da próxima safra

“Eu acho que temos que considerar e não podemos desmentir o senhor Silas Brasileiro, quando ele fala em uma previsão da próxima safra em 52 milhões de sacas.

Mas eu acho mesmo que ele não andou pelas regiões produtoras de café para ver a realidade. O senhor Silas deve conhecer onde há café irrigado, o que não reflete a realidade das grandes regiões cafeeiras, onde não há irrigação e onde houve o prejuízo da seca. Há 200 mil hectares de cultivo de café irrigados, que é 10% da área. Em 2010 e 2011 houve secas, ou seja, dois anos seguidos. As regiões de arábica tiveram chuvas abaixo da média e nesse ano também. O senhor Silas Brasileiro deve desconhecer esses fatos, que refletiram em um pegamento de florada muito ruim. Eu andei por todas as regiões cafeeiras e acredito que a quebra da próxima safra de café será de 50%.

Os cafeicultores têm que tomar muito cuidado com tudo isso. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou resultados de uma pesquisa que disse que há 1,86 filhos por casal atualmente, sendo que 1960, tínhamos 6,2 filhos por casal. Isso significa que não teremos mais mão-de-obra no futuro. É preciso urgente mudar o patamar de preços”.

 

Robério Silva na OIC

“O Robério Silva na Organização Internacional do Café (OIC) foi um grande ganho. Ele entende de mercado e é sensível a essas situações por que passa a cafeicultura. A dificuldade dele será o próprio Brasil, que vende seu café muito mais barato que os outros países produtores, sempre inferior a NY. Todos os países reclamam da concorrência desleal brasileira”.

 

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