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06/12/2011

 

Breno Mesquita analisa ganhos e desafios da cafeicultura em 2011

O presidente da Comissão Nacional do Café da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, em entrevista exclusiva ao Coffee Break,concedida na tarde de segunda-feira (5), após evento no núcleo da Cooxupé, em Cabo Verde, falou dos pontos positivos que setor cafeeiro teve neste ano.

 

 

Para Breno, o fato de Robério Silva ter sido eleito para diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC) foi um dos melhores ganhos políticos para a cafeicultura, além dos bons preços que o produto alcançou. Confira a entrevista:

 

Coffee Break – Quais foram os pontos positivos para o café neste ano de 2011?

Breno Mesquita - O grande ganho político do setor cafeeiro deste ano foi a ida de Robério Silva como diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC). Ele é um profissional muito interessante, porque não representa só a produção brasileira de café. Ele representa o agronegócio café brasileiro, como um todo. Representa com dignidade a exportação (verde, torrado e moído), a indústria, o solúvel, e, principalmente, porque o Robério tem a sensibilidade de conhecer quem produz e suas dificuldades. Estive com ele em Carmo de Minas - que é uma região montanhosa maravilhosa em produção de café - para justamente sentir a dificuldade por que passam aqueles cafeicultores e para juntos buscarmos soluções para o setor, que já estão acontecendo.

No cenário nacional, o aumento de preço, que começou em agosto do ano passado, infelizmente não resolveu o problema, mas já deu uma melhorada.

Nós temos dois grandes desafios: Primeiro, que esse preço se perpetue por mais tempo possível e para que isso seja possível, é preciso que nós da iniciativa privada, que trabalhamos pelo café, juntamente com o governo federal, consigamos estabelecer políticas e mecanismos, mas que sejam feitos agora para beneficiar no momento em que o café não esteja mais em uma situação tão boa. Um exemplo disso, que já estamos trabalhando há alguns meses e que virando o ano vamos dar uma ênfase muito grande, é que o preço mínimo fixado seja diferenciado para cafés de montanha. Já temos todos os pontos prontos e temos o aval da maioria do governo federal. As pessoas que são envolvidas no agronegócio café entendem que é uma política séria e justa.

Por exemplo, enquanto no Sul de Minas, em áreas montanhosas, o preço mínimo oficial não cobre o custo de produção, em outras áreas é muito acima do custo. Isso distorce o mercado porque se em alguns pontos não cobre o custo, em outros incita ao investimento e esses investimentos podem passar por novos plantios. Ganha em se falando de produtividade e não em se aumentar o plantio. Na minha visão esse é o grande ponto.

 

Coffee Break – Como o senhor vê as necessidades do setor para o ano que vem?

Breno Mesquita – Esse é o segundo ponto com que temos que nos preocupar. Temos que nos preparar financeiramente para a safra do ano que vem, que é de ciclo alto. A preocupação não tem que ser com a estimativa da safra, mas sim com o financiamento para administrá-la. Particularmente acho que a seca afetou consideravelmente a produção. Já estive no Banco do Brasil para buscar recursos para o setor de produção para que consigamos, em uma safra que vamos colher em quatro ou cinco meses, ordená-la para 18 meses. Esse é o grande desafio da cafeicultura e o grande desafio do segmento.

 

Coffee Break – Como o senhor vê a ausência de um estoque regulatório de café no Brasil?

Breno Mesquita - Eu acho interessante o estoque regulador, mas ele não pode vir a ser um fantasma. Acho que em ocasiões excepcionais, o Brasil tem que ter estoque regulador. Se tivermos uma geada ou uma seca prolongada, teremos que optar pelo mercado interno, que é extremamente promissor, com taxas superiores a 4% ao ano, ou ao mercado externo, com taxas superiores a 2% ao ano. Entre um e outro, não queremos perder nenhum, por isso é preciso que tenhamos esse estoque regulador. Não de 17 milhões de sacas ou mais, isso é fantasma que nos assombra diariamente, mas que em uma eventualidade de uma seca, por exemplo, o Brasil possa honrar seus compromissos interno e externo.

 

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